Esse é um dos meus temas de milhões e já vou dizer logo de cara: sinto que empreender no interior há 11 fez com que meu trabalho tivesse um ingrediente diferente. Acredite, não era “trend” morar fora dos grandes centros há pouco tempo atrás. Me senti muuuuito só nessa decisão no início da minha caminhada empreendedora, mas graças aos céus minha intuição sempre se manteve firme no *SÓ VAI*. Até 2019 eu recebia mensagens como “qual o endereço da sua loja em SP” – e não, eu nunca estive localizada em Pinheiros. Não foram 3 nem 7 vezes, foram dezenas. Até ontem eu respondia a pergunta DENTRO DA MINHA PRÓPRIA LOJA: “você já pensou em ter uma loja na capital ou numa cidade turística?”, “você não acha Varginha pequena demais pra você?”, “você podia ter uma franquia ia ser um sucesso tenho certeza”, “porque não leva a loja pro centro ao invés de estar no Sion?”.

Para toda esta poesia, mal sei por onde começar, mas serei sucinta em um só raciocínio: quem não está dentro do corre não faz ideia da dificuldade que é ter uma loja. Parece tão simples ao sugerir o que eu deveria estar fazendo ou onde em deveria estar né? Hoje esse tema é um estudo social pra mim, um mergulho antropológico na minha comunidade varginhense e um duplo twist carpado para dentro de mim mesma. No início era gatilho de angústia pois eu pensava “é verdade, eu deveria mesmo estar indo por ali e não por aqui”, “se eu estivesse em SP não passaria tanto perrengue como passo aqui em Varginha”, “mas é claro que eu tenho que ter franquia, só assim terei valor de verdade” mas hoje mundo, prestes a completar 5 anos de loja física em Varginha a cidade do et essa mesmo cabem em mim TODOS OS ARGUMENTOS DO MUNDO para defender minha decisão.

Entre todas as justificativas acalouradas do alto de um *palanque empreendedora da vida real*, eu escolhi a dedo a mais simples e potente delas: E POR QUE NÃO VARGINHA? O que faz um lugar ser menos especial e interessante que outro – a percepção dos outros a respeito dela ou a própria lente que eu decido colocar nos meus olhos? Eu amo Paris e tem gente que odeia. Eu nunca moraria em SP e milhões de pessoas prosperam ali. Eu me sinto mais forte estando conectada às minhas raizes e para muitas pessoas estar em movimento pelo mundo é o que traz força. Eu tenho convicção que não seria mais fácil em canto nenhum do mundo, há de ter muita coragem pra abrir uma porta num espaço físico e vislumbrar a possibilidade de fracassar todos os dias. O corre é difícil pra todo mundo, seja onde estiverem no mapa. Então onde está a bússola afinal? Só a gente sabe quantas fichas vale o nosso sonho incluindo reserva de espaço para desistir porque também temos esse direito tá?

Então minha defesa se resume em: Varginha porque sim, eu não sou todo mundo.
#dica: Se estiver precisando por aí use esta frase e só troque o *Varginha* pelo seu ponto do mapa.

Varginha foi meu ponto de partida possível, estar no meu bairro na loja ao lado da casa dos meus pais foi a forma mais viável (e afetuosa enfim) de materializar uma casa física da minha marca que só existia na internet. Eu não poderia estar em SP porque nunca teria essa grana, eu não quero virar franquia porque estou feliz na decisão de ser um pequeno negócio e não enlouquecer minha família que é minha equipe, eu não quero estar no centro da minha cidade porque tenho orgulho de ter nascido no subúrbio num bairro que por muito tempo foi visto com preconceito por boa parte da cidade, eu adoro o estranhamento que as pessoas sentem ao chegar na loja e verem que sim, não estou numa “área nobre” seja lá o que isso signifique. Minha Paris é aqui. E digo isso porque todas as vezes que viajei à Europa também recebi mensagens sobre “é a minha cara estar lá e se seu não sinto vontade de morar em Parriiii”. É claro que sinto, quem não sentiria, mas por mais que minha resposta possa desconfortar alguns seres vivos eu escolhi viver no sul de MG e isso me faz feliz. Acredita menina? (risos) Et voilà!

A bússola está dentro, só a gente vê. Por isso gostosinho mesmo seria ter espaço para contar o que nos motiva e não ter que listar tantos argumentos para nos defender dos conselhos de pessoas que não conhecem a nossa história. Mas isso é viver & e viver não é para amadores (só te lembrando, Amanda). Por isso, para incentivar a elasticidade do pensamento a gente faz o mergulho pra dentro, escarafuncha sentimento aqui argumento ali e simplifica nosso discurso com clareza e quando possível, gentileza. E no final, a simplicidade acaba sendo mais poderosa do que inaugurar 30 franquias, ganhar insígnias de girl boss e fazer parte do exemplo de sucesso do que acaba acontecendo com poucas pessoas. Prefiro seguir como sonhadora e empreendedora da vida real que pelo caminho consegue dar a mão pra mais gente e mostrar que Varginha não é menos especial que SP, Paris ou a cidade turística do litoral. E não, Varginha não me conhece nem me dá a grana que meu trampo merece, e ainda estou ralando naquele 1% que te contei na news “vale a insistência”, lembra? Mas quero insistir mais, ainda acredito nesse sonho e pelo caminho vou compartilhando por aqui o lado que quase ninguém.

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Com amor, Amanda.

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