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Eu sei bem que esse título vai despertar a curiosidade humana a respeito de que fim afinal me refiro. Fins são sempre polêmicos e quase sempre despertam um jogo de palpites. Mas não é sobre o clichê tá. A palavra FIM me atravessou de um jeito diferente desde que comecei a – você já deve saber o que vem depois – O-BRA. Sim, meu tema obsessão de terapia. E no início eu não percebia o quanto ela estava se repetindo em falas que eu ouvia após desabafar que eu não estava muito bem. A frase é assim: mas você vai ver que no final vale a pena. Nas 18 primeiras vezes que ouvi, nem relutei, até me consolou. Essa é daquelas frases que deslizam no ouvido, entram, mal deixam pegada e já partem sem acenar com a mão. É o típico argumento que sela, com saliva rs, uma conversa difícil de conduzir (ou chata para uma das partes, claro).

No final vale a pena quase não permite contestação, apenas um aceno com a cabeça meio que de lado, um esvaziamento de voz, uma murchadinha mesmo. Na trigésima vez comecei a me incomodar com esse selo que arrematava todos os diálogos com os seres vivos que me perguntavam: “e a obra como vai?” (afinal eu me tornei a minha obra) Acho que é o que mães vivem após terem seus filhos. Sou uma observadora da vida cotidiana, confessa, uma tagarela no modo mudo, não dá pra me ouvir, mas por dentro…menina, eu tô numa catarse de palavras. (você também é assim?) Vivo elaborando, pensando, me sentindo inadequada por me incomodar pelo inocente “no final vale a pena”, me culpando por não ser a ouvinte paciente e gentil que sempre fui.

No final vale a pena cala. Invalida a treta que é chegar lá. Desconsidera que tem um humano atrás dessa batalha que pode se manter a qualquer custo afinal tem um FINAL glorioso ali na frente. Só vai gata, e de preferência sem reclamar e postando bastante. Sonhadora “raçuda”, vai que vai. O final valer a pena significa o que afinal de contas? Meu palpite: não poder reclamar e nem se sentir exausta.

Esse debate me trouxe uma solitude necessária, me deitou no divã, me fez chorar e sentir dores físicas. Ele se mantém vivo em mim até hoje quando escrevo este texto para narrar aqui no pod, prestes a habitar a minha sonhada casa. Não existe final que valha a pena se não estamos bem pelo caminho. Ainda somos seres humanos necessitando de colinho de vez em quando, a gente não é um bambu.

Tenho muitas poesias, algumas da zoeira, pra esse tal final. Uma delas é um parabéns de aniversário com todos em volta do bolo e a mãe com olhar cansadinho de tanto enrolar doce e preparar a mesinha toda linda, seu cansaço será sempre invisível. Também fantasio um final como um biscoito da sorte só que em outra receita, numa bela manhã de terça as 8:23 mordo um pão de queijo e dentro dele sai um papel escrito: parabéns, você chegou no final, avise seus amigos que agora vai parar de reclamar. (RISOS)

Tem hora que eu não acredito que realmente to peitando trazer meus textos pra cá. Tô ficando destemida a cada mês, foi a obra tá e também entrar na dezena 3. Foi construindo e destruindo há quase 14 meses que meu medo pediu demissão de mim. Não vou dizer o quanto estou exausta porque todos estão com seus caminhos e se você deu play aqui provavelmente também assina a minha news, não quero ser repetitiva. Mas quero te contar que parece que minha obra chegou no final e reza a lenda que vai ter valido a pena. 

Então, me comprometo a te contar se todas as pessoas que me disseram isso estavam certas. Se nesse caso é uma máxima que vale pra todo mundo.  A minha provocação, com tom de leonina do contra, é que eu não vejo isso como um final. Eu sempre vi como um começo, como um portal que eu atravessaria para viver no mundo que a um custo altíssimo emocional e afins, eu e o Thales criamos. Desenhamos a nossa casa, fomos muito malucos. E se entrar nela agora for o final, gente do céu, tô perdidinha nesse tema. Dizem até que termina quando acaba. Então já que cheguei no fim, agora tô pronta pra recomeçar. 😛

Vou concluir nessa acidez irônica, que retorce também: não quero saber dos finais, mas sobre como as pessoas estão no momento real fazendo suas lutas darem certo. É sobre o olho de cansada atrás do grande sonho, sobre sua queixa de hoje, sobre a ajuda que ela pode receber no agora. Vai ter bolinho, pode ficar tranquilo, todos vão sorrir lá na frente e vai ser pura felicidade e eventualmente você pode até fazer parte disso, mas hoje, só hoje, talvez ela não queira falar de final porque pode nem estar enxergando esse momento. Essa era eu há poucos tempos atrás.

Quero ser melhor nisso, ouvir e acolher com presença o meu agora e o agora das outras pessoas também. O tal final pode chegar de repente num pão de queijo da sorte numa manhã de terça, quem sabe.

Ah, e sim, mesmo ainda exausta, tô orgulhosa demais de ter chegado até aqui e ver a casa pronta. Nunca vivi nada tão louco, ainda não acredito que é real. Bora atravessar o portal. É só o começo.

Obrigada por ter me ouvido até aqui. Com todo meu amor, Amanda

Amanda Mol

Ilustradora, criadora da Loja AM em Varginha (MG) e falante no #PitorescaPodcast, sigo acreditando que o mundo é de quem sonha! Aquarelar, escrever e criar produtos inspiradores é a minha forma de expressar amor. Aqui compartilho andanças pelo mundo, inspirações e sonhos.

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