de chuva forte
de avião
de tudo que parece
não ter os pés no chão

de ficar sozinha a noite
do escuro daquele corredor
disfarço a ponto de quase esquecer
aquele silêncio ensurdecedor

medo de causar má impressão
medo de não aguentar e fugir
de não dar conta do personagem sério
e estragar tudo começando a rir

medo de ser nova demais
e daqui a pouco velha demais
louca demais, confusa demais
inadequada demais

e aí descubro que adulto
não pode ter medo de nada
tem que parecer valente e forte
nem um corredor escuro o abala

que adulta é essa que me tornei
que ainda coleciona álbum de medos
taí uma prova que você não sabia
sei que posso confiar em você, guarde esse segredo

fico numa de tentar me encontrar
num lugar que talvez nunca pertenci
se adulto não pode ter medo
então não sei como cheguei até aqui.

Com amor e medos confessos,
Amanda.

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