Inspiração. Já chamei de sopro dos ventos, de mensagem silenciosa pelas manhãs, de silêncio íntimo pra tentar perceber o que não estou conseguindo ver. A cada ano esbarro num jeito novo de sentir a sua presença e vou além, tenho aprendido a aceitar o vazio que ela deixa a cada partida. A ausência de inspiração também tem muito a ensinar. Não dá pra agarrar com as mãos, nem saber por quanto tempo ela ficará. E neste ponto arrisco dizer que todo mundo já concorda: ela não vive longe e sim dentro de nós O que não significa ser um caminho simples de alcançar, mas alivia perceber que há uma trilha marcada, não vamos ficar perdidas pelo caminho. É pra dentro mesmo, dentro do meu silêncio, mergulhando na solitude possível em uma vida cheia de movimento. É quando os ruídos que insistem em sequestrar nosso tempo não tem protagonismo, quando dar espaço para sentir sem a urgência de produzir mais alguma coisa é a alternativa escolhida entre todas as outras. E isso inclui ganhos e claro, algumas perdas.

Contei no episódio “O que eu precisava ler” em agosto de 2021 que os livros que leio sempre me encontram. Nesses encontros fui atravessada por mais uma preciosidade que preciso dividir com você: Cartas a um jovem Poeta, do poeta de língua alemã Rilke, nascido em Praga uma cidade do mundo que me marcou de uma forma inesquecível. Nesse livro Rilke se corresponde com o aspirante a escritor Franz Kappus que pede conselhos sobre suas criações artísticas. E ler várias suas cartas escritas em 1902 ecoa como um bálsamo em pleno dois mil e vinte e dois. Por isso resolvi trazer alguns dos meus trechos grifados com marca texto azul e que me alcançaram numa altura boa do calendário.

Sobre validação. “Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério. Por isso, eu não saberia dar nenhum conselho senão este; voltar-se para si mesmo e sondar as profundezas de onde vem a sua vida. Aceite-a como ela for, sem interpretá-la.”
Sobre paciência. “Ser artista significa: não calcular nem contar, amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda a amplidão e a serenidade, sem preocupação alguma. A paciência é tudo!”
Sobre simplicidade.
Sobre simplicidade.“Mesmo os melhores erram nas palavras quando elas devem significar o que há de mais leve e quase indizível. Se o senhor se ativer a natureza e ao que há de mais simples nela, às pequenas coisas que quase não vemos e que, de maneira imprevista, podem se tornar grande e incomensuráveis, então tudo se tornará mais fácil, pleno e de algum modo reconciliador talvez n!ao no campo do entendimento, mas em sua consciência mais íntima, no campo da vigília e do saber.”

Deixo essa dica de leitura deliciosa, que apesar de breve carrega uma intensidade determinante. Um passagem de ida para nossa viagem interna em busca das inspirações mais genuínas que podemos ter! Bom voo. Com amor, Amanda.

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